
O Executivo angolano defendeu, esta quarta-feira, em Genebra, a necessidade de reforçar os sistemas nacionais de saúde e promover uma maior autonomia dos países na definição das suas políticas sanitárias, durante o encontro de alto nível “GAVI Leap in Action”, realizado à margem da 79.ª Assembleia Mundial da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O encontro reuniu ministros da Saúde, representantes governamentais e parceiros internacionais para discutir os desafios da imunização global, a sustentabilidade financeira dos programas de vacinação e o novo modelo operacional da GAVI.
A sessão foi presidida por Helen Clark, que destacou o impacto da vacinação em escala mundial, sublinhando que, desde o ano 2000, a GAVI já contribuiu para proteger mais de 1,2 mil milhões de crianças em diferentes regiões do planeta.
Um dos pontos centrais do encontro foi a apresentação da reforma “GAVI Leap”, baseada no princípio “Country First”, uma abordagem que coloca os países no centro da definição das prioridades nacionais de imunização.
A directora executiva da GAVI, Sania Nishtar, explicou que a iniciativa pretende simplificar processos, reforçar a liderança dos Estados, ampliar a flexibilidade financeira e acelerar a capacidade de resposta a surtos e emergências sanitárias.
Durante a sua intervenção, a ministra da Saúde de Angola, Sílvia Lutucuta, afirmou que a soberania sanitária representa, para Angola, a capacidade de definir políticas públicas ajustadas à realidade nacional, fortalecer a liderança do Estado e alinhar os apoios internacionais às estratégias do país.
A governante revelou ainda que Angola aprovou recentemente a Estratégia Nacional de Imunização para os próximos cinco anos, centrada na redução do número de crianças zero-dose e subimunizadas, sobretudo nas zonas periurbanas e em comunidades de difícil acesso.
Entre as principais prioridades apresentadas pela delegação angolana destacam-se a expansão das brigadas móveis de vacinação, o reforço das acções comunitárias, a melhoria da cadeia de frio e da logística sanitária, a modernização dos sistemas digitais de vigilância epidemiológica e o aumento da capacidade de resposta a surtos.
O Executivo sublinhou igualmente que entre 25% e 38% das doses administradas no país são aplicadas através de equipas móveis e iniciativas comunitárias, reflectindo os esforços em alcançar as populações mais vulneráveis e ampliar o acesso aos serviços de saúde.
O encontro abordou ainda a necessidade de fortalecer a soberania vacinal africana, num contexto em que o continente continua a enfrentar dificuldades no acesso equitativo às vacinas.
Neste âmbito, a GAVI apresentou iniciativas como o African Vaccine Manufacturing Accelerator (AVMA), destinadas a impulsionar a produção local de vacinas em África, reduzir a dependência externa e reforçar a capacidade industrial do continente no sector farmacêutico e de imunização.
